Esse é um espaço para uma conversa informal sobre as relações humanas (o que nós falamos e fazemos em variadas situações). Para, quem sabe, encontrar formas saudáveis de lidar com nós mesmos e com as outras pessoas.
sábado, 29 de setembro de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Aquele friozinho...
Em tempos de frio como esse em Brasília, acordamos, saímos da cama
batendo o queixo, e trocamos de roupa em questão de segundos. Inspirei-me no
frio atual para falar de outro frio, aquele friozinho que sentimos na barriga.
Minha hipótese é de que o famoso friozinho na barriga surgiu
quando a primeira criança inventou alguma traquinagem e surpresa com o
resultado causado em seu corpo, começou a rir. Depois sentiu vontade de repetir
a atividade em busca da mesma sensação.
Pois bem, uma vez que somos adultos, também surpreendemos com
diversas situações e sentimos o mesmo efeito daquela criança faceira. A
sensação é acompanhada de um estranhamento, como se algo estivesse fugindo do
nosso controle (e realmente está). Após o reconhecimento dessa sensação,
passamos pela fase da apreciação, a qual pode ser lenta ou rápida.
Os motivos para o friozinho são diversos! Um presente, o resultado
de uma prova, o olhar de uma pessoa desconhecida, o início ou fim de uma
viagem, dirigir de carro em uma descida, andar de montanha-russa, apresentar em
público e entre outros.
A parte menos observada desse efeito, também chamado de borboletas
na barriga (tradução literal do inglês), é o seu fim. Após o efeito, o
indivíduo aprecia um momento de satisfação e bem-estar. Em seguida, as
atividades voltam ao seu curso normal, como se nada tivesse acontecido. Na
verdade, suponho que apenas “fingimos” voltar para nossa rotina, mas lembramos
de uma forma distante daquele friozinho gostoso de outrora.
Por exemplo, a simples lembrança do primeiro beijo pode nos
suscitar aquela mesma sensação juvenil de descobrir algo novo, e nem precisamos
inventar uma máquina do tempo para relembrar o que sentimos naquela época. A
imaginação faz a maior parte do trabalho. Seja o friozinho real ou fantasiado, ele
nos faz muito bem! Surpreende nossas vidas e nos incentiva a continuar adiante.
domingo, 8 de julho de 2012
Quando as coisas boas acontecem...
O que esperar e como reagir quando algo bom nos acontece? Devemos
agradecer infinitamente, sentirmo-nos privilegiados, aceitar como o curso
natural da vida? Estamos mais preparados para aceitar e proceder quando eventos
bons não se realizam do que quando são alcançados?
Algumas perguntas que levam a refletir...
Na minha percepção, vejo a valorização das situações
difíceis que vivenciamos, enquanto momentos de bem-estar são guardados em
arquivos remotos da memória. O que fazer então para realmente aproveitar um
ótimo momento da vida? Vejo exemplos de amigos que apresentam pontos de vista
diferentes. Enquanto, no meu modo de ver, o comum é esperar situações chatas e
nada agradáveis acontecerem, uma outra maneira é ter consciência de que
naturalmente teremos bons momentos e momentos não tão bons em nossas vidas, e
isso é o curso natural da vida. Viver para esperar algo sofrido não é de todo
mal, ao mesmo tempo, somente contar com a expectativa de dias melhores tem sua
utilidade.
Cada forma de agir possui uma finalidade dentro de um
contexto. Enquanto nos preparamos para eventos de grande dificuldade, estamos
exercitando a capacidade de planejar e simular comportamentos de
autopreservação. Do mesmo modo que vivermos com esperanças de um futuro melhor,
fortalece dentro de nós uma visão menos trágica e mais tolerável de mundo.
Por fim, apresento a ideia de combinar essas duas crenças: a
vida não é só feita de dores mais também não é baseada na realização constante
das nossas necessidades. Então como reagir quando as coisas boas acontecem?
Minha
sugestão é aproveite ao máximo e tenha consciência de que faz parte de um
momento de sua vida, assim como outros que virão (bons ou não)...Vivencie e aprenda
com cada um deles!
domingo, 27 de maio de 2012
Diário de bordo
Pensando em viagens, percebi que tinha uma quantidade
razoável de anotações sobre fatos que me marcaram entre as chegadas e partidas.
Foram essas anotações ou diários de bordo que me inquietaram a escrever esse
texto.
Antes da viagem, é comum sentir aquela ansiedade pelo que aguarda do outro lado. A estadia resume na satisfação em descobrir algo novo e encontrar sensações boas e familiares. Na partida, uma inquietação pelo retorno, sem saber como todas as mudanças afetarão o seu estado inicial. E por fim, na chegada, surge um grande desejo de iniciar novos e/ou antigos projetos.
É nessa hora que as famosas resoluções pós-viagem
aparecem. Cuidar melhor da saúde, focar mais nos objetivos profissionais, ousar
novos projetos pessoais e etc. Todas as resoluções parecem incríveis e viáveis,
até voltar para casa, para rotina, para os velhos hábitos e pensamentos.
O que fazer para que tais resoluções não sejam momentâneas? Duas sugestões para você experimentar: definir e registrar suas resoluções com metas, objetivos e prazos; e conversar sobre suas resoluções com pessoas que se sinta à vontade, pois ao mesmo tempo em que compartilha interesses, pode reforçar suas próprias idéias.
Recomendo que as inquietações provocadas pelos diários de bordo sejam mantidas, em um nível saudável, após a viagem. Uma vez que essas inquietações
impulsionam a mudança e o desvio da rotina, elas também podem ser úteis no momento em
que esquecemos das nossas listas de desejos.
sábado, 28 de abril de 2012
O lado Loser
Todos
nós temos um lado loser (perdedor)
dentro nós, podendo ser atuante ou não em nossas vidas. Imagine situações
embaraçosas que você já vivenciou ou até mesmo que observou outras pessoas
passarem. Não é nada fácil relembrar e sentir novamente vergonha de si mesmo ou
da pessoa que sofreu tal situação. Por
outro lado, penso que nosso lado loser
pode criar uma oportunidade para descontrair e rir de nós mesmos. É nessas
horas que o humor e uma perspectiva menos rígida da vida entra em ação para
salvar as “vítimas”.
Uso
a expressão “vítimas” para ressaltar o papel que muitos de nós apresentamos em
nossas vidas. O papel de vítima combinado com o lado loser nos faz sentir indefesos e incapazes de mudar algo que nos
incomoda. Em contrapartida, o bom humor acompanhado do lado loser nos permite rir e debochar diante
de imprevistos e procurar saídas.
Então, o bom uso do lado loser pode colaborar para o bem-estar das pessoas? Sim, é uma hipótese que estou levantando agora. Sem procurar aprofundar em dados mais consistentes, posso dar exemplos fictícios e reais que reforçam essa hipótese. São retratados com frequência em seriados de televisão, personagens tipicamente losers que utilizam seus atributos ou situações pouco favoráveis para seu benefício. Por exemplo, os personagens a seguir: Betty Suarez do seriado Ugly Betty, o grupo de coral do seriado Glee, e a turma de amigos do seriado Os Buchas.
Quanto aos exemplos reais poderia relembrar da minha fase não tão popular na adolescência ou da adolescência de meus irmãos e amigos. Resumindo, são exemplos quase todas as pessoas que conheço e que já viveram algum momento nebuloso e hoje levam a vida de uma forma mais leve, sendo menos críticos consigo. Alguma semelhança com a sua vida? Caso a resposta seja positiva: bem-vindo, loser! O importante é perder com bom humor e ganhar também, é claro!
sexta-feira, 30 de março de 2012
Sala de espera
A espera: do dia seguinte; de
um novo trabalho; de uma grande viagem; de novos sentimentos; de (re)encontros;
de descobertas; de conhecimento; de diversidade; de tolerâncias...
O tempo de
espera pode ser indefinido, assim como o tempo de vida.
Então, vivemos enquanto
esperamos a realização de nossas vontades.
Uma contínua sala de espera.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Mudança de perspectiva
Estamos
sujeitos à imprevisibilidade das relações humanas, ou seja, à mudança do foco e
interesse que temos por uma pessoa e vice-versa. Como é estranho e curioso, ao
mesmo tempo, que histórias de vida antes compartilhadas, agora não passam de
vagas lembranças, borrões de memória, por assim dizer. As mudanças são tão
recorrentes entre as pessoas que é comum
supor que estamos acostumados com tais acontecimentos. Não sei se na prática
lidamos tão bem com essas “rupturas”. Contudo, posso afirmar que algumas vezes
somos surpreendidos com a imprevisibilidade das amizades, namoros, casamentos e
outros tipos de relações.
Pensando
bem, a imprevisibilidade das relações está associada à mudança de perspectiva das
mesmas. Em outras palavras, quando alguém modifica a importância que uma pessoa
representa para si mesmo, na verdade está alterando também sua perspectiva
sobre determinada relação. Uma observação: a importância atribuída a uma pessoa
e a mudança de perspectiva pode ser consciente ou não para o responsável da
ação.
Saber
que nossa visão atual sobre uma pessoa não é a mesma visão do momento em que a conhecemos
e vice-versa pode ajudar a entender e aceitar melhor essas imprevisíveis
relações. Talvez seja mais agradável pensar que não temos controle sobre os
sentimentos do outro. Perceber que assim como já mudamos diversas vezes nossa
perspectiva sobre várias pessoas, podemos mudar novamente sobre outras. Um
borrão na memória pode parecer menos estranho agora, não acha?
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