sábado, 28 de abril de 2012

O lado Loser


Todos nós temos um lado loser (perdedor) dentro nós, podendo ser atuante ou não em nossas vidas. Imagine situações embaraçosas que você já vivenciou ou até mesmo que observou outras pessoas passarem. Não é nada fácil relembrar e sentir novamente vergonha de si mesmo ou da pessoa que sofreu tal situação.  Por outro lado, penso que nosso lado loser pode criar uma oportunidade para descontrair e rir de nós mesmos. É nessas horas que o humor e uma perspectiva menos rígida da vida entra em ação para salvar as “vítimas”. 

Uso a expressão “vítimas” para ressaltar o papel que muitos de nós apresentamos em nossas vidas. O papel de vítima combinado com o lado loser nos faz sentir indefesos e incapazes de mudar algo que nos incomoda. Em contrapartida, o bom humor acompanhado do lado loser nos permite rir e debochar diante de imprevistos e procurar saídas.


 Então, o bom uso do lado loser pode colaborar para o bem-estar das pessoas? Sim, é uma hipótese que estou levantando agora. Sem procurar aprofundar em dados mais consistentes, posso dar exemplos fictícios e reais que reforçam essa hipótese. São retratados com frequência em seriados de televisão, personagens tipicamente losers que utilizam seus atributos ou situações pouco favoráveis para seu benefício. Por exemplo, os personagens a seguir: Betty Suarez do seriado Ugly Betty, o grupo de coral do seriado Glee,  e a turma de amigos do seriado Os Buchas.

Quanto aos exemplos reais poderia relembrar da minha fase não tão popular na adolescência ou da adolescência de meus irmãos e amigos. Resumindo, são exemplos quase todas as pessoas que conheço e que já viveram algum momento nebuloso e hoje levam a vida de uma forma mais leve, sendo menos críticos consigo.  Alguma semelhança com a sua vida?  Caso a resposta seja positiva: bem-vindo, loser! O importante é perder com bom humor e ganhar também, é claro!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sala de espera


Muitas esperas nós vivemos e criamos ao longo da vida. 
A espera: do dia seguinte; de um novo trabalho; de uma grande viagem; de novos sentimentos; de (re)encontros; de descobertas; de conhecimento; de diversidade; de tolerâncias...
O tempo de espera pode ser indefinido, assim como o tempo de vida. 
Então, vivemos enquanto esperamos a realização de nossas vontades. 
Uma contínua sala de espera.  


 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mudança de perspectiva



Estamos sujeitos à imprevisibilidade das relações humanas, ou seja, à mudança do foco e interesse que temos por uma pessoa e vice-versa. Como é estranho e curioso, ao mesmo tempo, que histórias de vida antes compartilhadas, agora não passam de vagas lembranças, borrões de memória, por assim dizer. As mudanças são tão recorrentes entre as pessoas que  é comum supor que estamos acostumados com tais acontecimentos. Não sei se na prática lidamos tão bem com essas “rupturas”. Contudo, posso afirmar que algumas vezes somos surpreendidos com a imprevisibilidade das amizades, namoros, casamentos e outros tipos de relações.

Pensando bem, a imprevisibilidade das relações está associada à mudança de perspectiva das mesmas. Em outras palavras, quando alguém modifica a importância que uma pessoa representa para si mesmo, na verdade está alterando também sua perspectiva sobre determinada relação. Uma observação: a importância atribuída a uma pessoa e a mudança de perspectiva pode ser consciente ou não para o responsável da ação.   


Saber que nossa visão atual sobre uma pessoa não é a mesma visão do momento em que a conhecemos e vice-versa pode ajudar a entender e aceitar melhor essas imprevisíveis relações. Talvez seja mais agradável pensar que não temos controle sobre os sentimentos do outro. Perceber que assim como já mudamos diversas vezes nossa perspectiva sobre várias pessoas, podemos mudar novamente sobre outras. Um borrão na memória pode parecer menos estranho agora, não acha?


sexta-feira, 9 de março de 2012

Por que não?

Por que não começar hoje algum dos planos guardados para depois? Por que não experimentar hoje algo novo? Por que não tentar hoje ver situações sob uma perspectiva diferente? Por que não questionar hoje as regras e modelos já conhecidos de vida? Por que não aceitar hoje uma mudança? Por que não pensar hoje sobre a vida que leva? Por que não? 




sexta-feira, 2 de março de 2012

Minha mãe sempre dizia...


Estava lendo a edição especial da revista Superinteressante – 53 conselhos errados que as pessoas dão, e identifiquei um tema a ser explorado: a aplicabilidade de um conselho. Estou considerando o conselho na forma mais simples e informal, recorrente em conversas entre amigos, familiares e conhecidos. A aplicabilidade, por sua vez, seria a utilidade do conselho para algum aspecto na vida das pessoas que os recebem.

Para os conselheiros de plantão, aqueles que adoram participar da vida dos outros e buscar soluções para os problemas, atenção: seus conselhos, na maioria das vezes, não são aplicáveis para quem está em apuros. Cuidado também, aconselhados antenados: as dicas que lhe são generosamente entregues podem não ser úteis a vocês. 

Diante desses alertas, você pode me perguntar: o que faço então com os conselhos que propago e recebo? Já tomando um pouco do meu próprio remédio, respondo: procure orientar a vida dos outros de forma despretensiosa, não taxativa e sem verdades absolutas. Evite “profetizar” seus próprios casos bem sucedidos como a única saída para as dificuldades de outras pessoas. Se ajudar, termine um conselho com a frase: essa é minha opinião, use-a da forma como achar melhor.

Quanto às informações que recebe, antes de incorporá-las ao seu modo de pensar, veja se o conteúdo é pertinente ao seu caso. Não é apenas porque um amigo fez ou deixou de fazer algo para sentir-se melhor que as mesmas ações funcionarão para você, uma vez que os dois possuem características pessoais, vivências e contexto de vida diferentes.


Considerando minha proposta generalista e sem qualquer tipo de evidência científica, reforço a importância do uso de outras fontes baseadas em estudos empíricos. Para todos os efeitos: estou apenas expondo minha opinião, fique a vontade para aplicá-la da forma que julgar melhor.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cobranças

Dizem que só depois da quarta-feira de cinzas é que inicia realmente o ano no Brasil. Então nesse clima pós-carnaval, nada mais apropriado do que falar sobre cobranças. A princípio podemos pensar naquelas mais fáceis de identificar. Aquela obrigação que algum familiar, amigo ou até mesmo um simples conhecido te aponta na maior naturalidade. “Como não pagou as contas?”; “Está na hora de arrumar emprego”; “Ainda não fez a matrícula naquele curso/academia e etc’’; “ E o namorado(a)/noivo(a)/esposo(a)?”; “ Pretende ter filhos quando?”. Essas são algumas falas que me lembro quando penso em cobranças sociais ou externas.

No entanto, ao falar sobre esse assunto, o que mais interessa é saber de que forma escutamos as “ladainhas”. Acredito que muitas vezes permitimos que as cobranças sociais afetem nosso próprio julgamento, seja porque nos identificamos com elas, seja porque estamos vulneráveis à opinião alheia. O importante é observarmos porque ficamos tão apreensivos, irritados e desconfortáveis ao receber a “notificação” de alguém. A forma como escutamos e assimilamos pode fazer uma grande diferença em nossas vidas.
 Percebe-se, então, uma outra forma de cobrança, que nomeio como interna. Independente das promessas que fazemos no início de ano, existem aquelas que inventamos durante anos, meses, semanas, dias, horas... Tais promessas freqüentemente disfarçam-se em cobranças. Mas essas cobranças são pouco perceptíveis, considerando nossa dificuldade de identificá-las e diferenciar das externas.

Sabendo que o ser humano é constantemente influenciado pelas cobranças (internas e externas), é possível, em primeiro lugar, diferenciá-las e verificar real importância delas na sua vida. Em segundo lugar, que tal fazer algo para que elas desapareçam ou minimizem?

Sendo nós os principais cobradores do que devemos ou não fazer, podemos ver as obrigações com menos rigidez e, a partir daí, colocarmos em prática apenas o que julgarmos saudável para nós. 
Fica a sugestão e não a cobrança!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No final das letrinhas...


Um dia desses estava vendo com minhas amigas o filme Amizade Colorida (Friends with Benefits) e fiquei muito pensativa a respeito de um tema: o amor idealizado. A história do filme basicamente fala da amizade de um homem (Dylan) e uma mulher (Jamie) que fazem o acordo de serem “amigos coloridos”, ou seja, manterem a amizade acrescida de um envolvimento sexual sem compromisso, em outras palavras, sem fidelidade um ao outro. Até aí considerei uma relação afetiva bem distinta daquela retratada na maioria dos filmes hollywoodianos. 

Entretanto, em um momento do filme Jamie percebe que está se envolvendo na relação com seu amigo. Dylan, por sua vez, não consegue admitir e aceitar que também está gostando de Jamie mais do que gostaria como uma amiga. Previsivelmente os dois terminam juntos no final e eu caio mais uma vez na “pegadinha” de ver esses filmes do gênero comédia-romântica, imaginando que apresentariam um modelo diferente de amor.

Devo esclarecer que minha crítica não é aos “finais felizes” nos filmes, mas ao fato de não abordar outro modo de relacionar amorosamente em que os protagonistas não necessariamente terminem juntos no fim do enredo. Conversando com amigos, cheguei à seguinte conclusão: a maior parte de nossas frustrações amorosas é decorrente do modelo de amor idealizado que nos foi incutido pela mídia. Deixe-me explicar o que seria no meu ponto de vista esse modelo de amor idealizado. A relação idealizada comumente entre dois pares é aquela em que apesar da dor e sofrimento demasiados, o amor sobrevive e ultrapassa todas as barreiras.

O amor não deveria “sobreviver”, mas “viver” uma história prazerosa. Não deveríamos nos acomodar com a idéia de que sofrer é a medida do amor, a não ser que sejamos masoquistas. O único “sofrimento necessário” em uma relação afetivo-amorosa é ocasionado por ajustes e concessões entre os pares, e quando ela chega ao fim (porque sim, muitas relações terminam, apesar das letrinhas no final do filme não mostrarem).

Pode parecer triste ou até mesmo amargurada a minha constatação, mas o que gostaria de propor com esse texto é que podemos sim ser felizes e acreditarmos no amor, quando o mesmo é saudável para nós. Não temos garantias do final feliz, mas enquanto estamos amando e nos faz bem é muito bom, e é isso que importa. Bem clichê dizer que devemos aproveitar o momento presente, mas felizmente é isso o que temos em nossas mãos. Podemos escolher nosso próprio roteiro!