sexta-feira, 7 de março de 2014

Ela

         Recentemente, assisti o filme "Ela" ("Her" em inglês) protagonizado pelo ator Joaquin Phoenix e surpreendentemente pela "voz" da atriz Scarlett Johansson (sim, somente sua voz). De forma resumida, explicarei a trama desta história futurista. Theodore vê uma propaganda e resolve comprar o produto oferecido: um sistema operacional (OS em inglês). O sistema apesar de não ser um humano, possui inteligência e sensibilidade de um.
            A cada dia, Theodore se surpreende com as habilidade de seu OS, que por sinal nomeou de Samantha. A partir deste ponto, apresento minhas percepções sobre o filme. Como a presença de um sistema operacional, ou uma "voz", melhor dizendo, pode afetar o humor de um ser humano?
            Enquanto pensamentos negativos e autocríticos habitam nossa mente, a "voz" construída artificialmente aponta uma forma de ver a vida e seus acontecimentos de maneira mais compassiva e madura. Por exemplo, enquanto o personagem principal lamenta por não conseguir dormir devido à diversos pensamentos não produtivos que passam por sua cabeça, a "voz" de Samantha (OS) convence-o de que essas preocupações não são úteis e sugere que ele tome uma xícara de chá para relaxar. Ele, por sua vez,  percebe como essa "voz" o faz sentir melhor consigo mesmo.
            De forma geral, interpreto essa "voz" como uma parte de nós mesmos. Aquela parte que se diverte com pequenas coisas, permite pensar novas ideias, faz companhia a nós mesmos em momentos difíceis e tenta mostrar que a vida não é tão dura. É claro que amigos e companheiros podem exercer tal função, mas nem sempre estaremos perto deles e precisamos contar  com a nossa "voz" diariamente.
            Ao sair da sala de cinema, percebi uma sensação de conforto e alegria. Afinal eu havia descoberto que tinha essa "voz" comigo. E você? Já descobriu a sua?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Final de ano

“Eu quero sair... não me sinto bem aqui. Não me sinto bem em nenhum lugar da minha cabeça”. 
Penso que isto pode ser reflexo da retrospectiva do ano de 2013, falei até para uma amiga.  E ela me alertou sobre outra forma de pensar: agradeça pelo que você tem! Nada de lamentar!

Sim, sei que estou vendo o copo “metade vazio” e não “metade cheio”. O que fazer então?

Muitos podem dizer: faça algo, não fique parado! Ocupe sua mente, veja as situações de forma diferente. Entretanto, eu proponho algo diferente e desafiador: não faça nada! Deixe o momento passar, ocupe sua mente com nada... São nos espaços vazios que novas soluções tomam vida. Permita-se ver o que há de errado com você mesmo em um período do dia, e no outro período veja o que há de certo. Nada de se lamentar e colocar-se no lugar de vítima, apenas ter consciência do que está sentindo e vivendo. 

Posso dizer que isso é um aprendizado valioso e usarei em 2014, 2015, 2016...


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A parte de cada um



Um tema que muito me inquieta nas relações humanas é a responsabilidade. Iniciamos um contrato implícito de responsabilidade, à medida em que a intimidade se desenvolve com outras pessoas. Nossa responsabilidade é medida frequentemente por gestos: um telefonema para a mãe quando está viajando, um e-mail a um amigo perguntando como ele está, um bom dia a um vizinho quando encontramos no condomínio, um aceno de cabeça a um desconhecido que cruzamos na rua. 

Tais comportamentos são estabelecidos, em parte, culturalmente e sujeitos à mudanças a partir do convívio em grupos. As responsabilidades podem ser superestimadas ou subestimadas. Ambos os casos, geram desentendimentos, frustrações e cobranças desnecessárias.

Um aluno que se aproveita de seus colegas de turma para obter uma boa nota no trabalho, sem realizar sua parte da tarefa, é exemplo de como fazer pouco caso da responsabilidade. Confesso que passei muitas vezes por situações como essa na escola e até mesmo na faculdade. Hoje, percebo que  muitas dores de cabeça poderiam ser evitadas impondo limites e exigindo que cada um cumprisse sua parte.

Também pode ocorrer uma situação em que a responsabilidade é exigida em excesso e os autores da cobrança sejam nós mesmos. Nesse caso, devemos reduzir nossas responsabilidades, perceber que a nossa parcela foi feita e não podemos "abraçar o mundo". Agora depende dos outros!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

E agora?




E quando achamos que temos tudo (ou quase tudo) encaminhado na vida, mas algum evento muda nosso percurso?
Como reagir? Quais providências tomar?
No primeiro momento, vejo que é necessário parar e refletir sobre como chegamos até aqui. Quais ações tomadas foram benéficas ou não para nós mesmos. Depois recomendo analisar o contexto. Quais fatores externos estão envolvidos na mudança de percurso, e como eles afetaram o mesmo?
Após realizar as duas etapas, encontramos o desafio de traçar objetivos, tomando como base a nossa avaliação pessoal e do próprio contexto.
Será que o que não funcionou anteriormente precisa ser modificado ou devemos persistir na mesma ação? Por um lado, repetir algo que não deu certo pode ser visto como teimosia, por outro, significa superação de limites.
Então devemos escolher um dos lados e seguir adiante, lembrando que a escolha mais assertiva é aquela que nos faz sentir bem, vibrar e crescer mais.



quarta-feira, 6 de março de 2013

Quando achamos que esquecemos...



Depois de um razoável tempo sem escrever no blog, achei pertinente falar sobre esse tema. Imagino que esquecer algo ou alguém possa ser um tanto difícil. Durante o processo de esquecimento esbarramos com frequência em estímulos que evidenciam o que nós queremos esquecer. 


Um cheiro, uma música, um filme, um texto podem trazer à tona pedaços de nossa memória que haviam sido ocultados. É um processo descontínuo, e isso, às vezes, me irrita. Queremos seguir adiante, evoluir em nossas ideias e ações mas as recordações atrasam esse processo. Não é nada agradável iniciar um projeto novo com a sensação prévia de incapacidade.
   
Por outro lado, as lembranças nos orientam em decisões futuras. Uma tomada de decisão equivocada anteriormente pode ser evitada em uma situação semelhante em outro momento. O que não esquecemos pode ser útil também para o nosso progresso.

A verdade é que o nosso acervo de memórias faz parte do dia-a-dia. Esquecê-lo seria tolice, assim como não transformá-lo.

sábado, 29 de setembro de 2012

Quero ser Grande!


Estava revendo pela “milésima” vez o filme Quero ser grande (Big), estrelado por Tom Hanks em 1988 e lembrado até hoje por muitos adultos-uma-vez-crianças. Para aqueles que ainda não tiveram o prazer de ver esse filme, farei uma breve contextualização. Josh, personagem principal do filme, faz um pedido a uma máquina de desejos em um parque de diversões. Seu pedido: quero ser grande. Sua vontade era parecer mais maduro, pelo menos fisicamente, para uma garota de sua escola que ele gostava muito. O pedido, por sua vez, foi realizado e no dia seguinte Josh, um menino de 12 anos, transformou-se em um homem de 30 anos. Obviamente, essa mudança drástica gerou desconfortos e privilégios para o garoto. 

Voltando para a questão principal que me fez pensar nesse filme. Percebo como nós, sendo adultos, crianças e adultos-crianças, queremos, muitas vezes, “pular” fases ou momentos da vida. Tudo bem que já tenhamos vivido situações que gostaríamos de adiantar para ver o que há em seguida, na expectativa de algo melhor e mais excitante. Outras vezes, ansiosos buscamos a resposta de um problema no futuro. E como somos seres curiosos por natureza inventamos formas de adiantar o processo atual.

 

Penso até que ponto isso pode ser saudável ou prejudicial para as pessoas. Por um lado, viver conformado com o presente pode nos tornar acomodados e sem vontade de buscar algo novo. Por outro lado, a ansiedade para ver um resultado sem vivenciar o processo de tentativa e erro, talvez limite nossa visão e aprendizagem. Afinal, quantas lições aprendemos antes de chegar a algum objetivo? Creio que aprendemos muitas!

Ao voltar para a história inicial do garoto Josh, vejo que seu desejo de crescer era importante para ele, pois queria conquistar uma menina muito especial. Entretanto faltou refletir melhor sobre sua estratégia. Quem sabe, manter-se fisicamente do seu jeito e buscar ganhar mais confiança para conversar e ficar mais próximo da garota não o traria resultados mais eficazes?

Penso que a vontade de “querer ser grande” tem sua utilidade. Ela nos estimula a procurar nossos desejos, ao mesmo tempo em que aproveitamos o momento presente com a curiosidade de uma criança.

 

 

sábado, 4 de agosto de 2012

Aquele friozinho...




Em tempos de frio como esse em Brasília, acordamos, saímos da cama batendo o queixo, e trocamos de roupa em questão de segundos. Inspirei-me no frio atual para falar de outro frio, aquele friozinho que sentimos na barriga. 

Minha hipótese é de que o famoso friozinho na barriga surgiu quando a primeira criança inventou alguma traquinagem e surpresa com o resultado causado em seu corpo, começou a rir. Depois sentiu vontade de repetir a atividade em busca da mesma sensação. 

Pois bem, uma vez que somos adultos, também surpreendemos com diversas situações e sentimos o mesmo efeito daquela criança faceira. A sensação é acompanhada de um estranhamento, como se algo estivesse fugindo do nosso controle (e realmente está). Após o reconhecimento dessa sensação, passamos pela fase da apreciação, a qual pode ser lenta ou rápida.

Os motivos para o friozinho são diversos! Um presente, o resultado de uma prova, o olhar de uma pessoa desconhecida, o início ou fim de uma viagem, dirigir de carro em uma descida, andar de montanha-russa, apresentar em público e entre outros.

A parte menos observada desse efeito, também chamado de borboletas na barriga (tradução literal do inglês), é o seu fim. Após o efeito, o indivíduo aprecia um momento de satisfação e bem-estar. Em seguida, as atividades voltam ao seu curso normal, como se nada tivesse acontecido. Na verdade, suponho que apenas “fingimos” voltar para nossa rotina, mas lembramos de uma forma distante daquele friozinho gostoso de outrora.

Por exemplo, a simples lembrança do primeiro beijo pode nos suscitar aquela mesma sensação juvenil de descobrir algo novo, e nem precisamos inventar uma máquina do tempo para relembrar o que sentimos naquela época. A imaginação faz a maior parte do trabalho. Seja o friozinho real ou fantasiado, ele nos faz muito bem! Surpreende nossas vidas e nos incentiva a continuar adiante.